TikTok é usado por criminosos para promover venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram
Uma investigação publicada nesta sexta-feira (25) revelou que criminosos estão utilizando o TikTok para divulgar e promover a venda de material de abuso sexual infantil em grupos e canais do Telegram. Segundo a apuração, os envolvidos usam códigos e mensagens disfarçadas nos comentários para escapar dos mecanismos de fiscalização da plataforma.
O levantamento monitorou mais de 30 perfis no TikTok durante semanas e identificou pelo menos 35 links que direcionavam usuários para locais onde o conteúdo ilegal era comercializado, principalmente dentro do Telegram. Os anúncios utilizavam diferentes estratégias para chamar a atenção de potenciais compradores sem mencionar explicitamente o tipo de material oferecido.
No Telegram, as negociações ocorriam por meio de conversas privadas, bots automatizados e páginas criadas dentro do próprio aplicativo. Segundo a investigação, criminosos aceitavam pagamentos em criptomoedas e também por Pix.
A utilização do sistema de pagamentos brasileiro, porém, não garante anonimato aos envolvidos. Dados das transações ficam registrados e podem ser utilizados pelas autoridades em investigações para identificar compradores e vendedores.
Nova lei aumentou penas
A prática passou a ter punições mais rigorosas após a entrada em vigor da Lei nº 15.487/2026, sancionada em agosto. A legislação ampliou medidas de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital e também estabeleceu regras relacionadas ao uso de inteligência artificial.
De acordo com a legislação, produzir ou vender esse tipo de material pode resultar em quatro a dez anos de prisão, além de multa. Para quem adquire, possui ou mantém o conteúdo, a pena pode chegar a seis anos de reclusão, além de multa.
Plataformas dizem combater conteúdo ilegal
O TikTok afirmou que remove rapidamente conteúdos relacionados à exploração sexual infantil e bane permanentemente as contas envolvidas. A empresa também informou que utiliza sistemas automatizados e denúncias para identificar violações e que os casos são reportados às autoridades competentes.
O Telegram declarou que proíbe expressamente esse tipo de conteúdo e informou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil em 2026.
A investigação reforça a preocupação de especialistas com o uso de redes sociais abertas como porta de entrada para ambientes fechados, onde criminosos tentam comercializar material ilegal e ampliar suas redes de distribuição.
Denúncias: casos de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser comunicados ao Disque 100. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.