Dólar trava em R$ 5,42 após atingir limite de negociação; ações brasileiras caem no exterior

Mundo Redação Resumo PB
Moeda norte-americana disparou 8,65% na abertura desta segunda-feira (26), após a reeleição de Lula; papéis de bancos e da Petrobras registraram fortes perdas nas bolsas dos Estados Unidos

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte pressão nesta segunda-feira (26). O dólar comercial chegou a R$ 5,42, com alta de 8,65% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disparada levou a Bolsa brasileira a adotar medidas para lidar com a volatilidade dos contratos futuros da moeda norte-americana. UOL

A reação negativa também atingiu as ações de empresas brasileiras negociadas no exterior. Na pré-abertura de Wall Street, o fundo de índice EWZ, que acompanha o desempenho de ações brasileiras, chegou a registrar queda de 26,74%, refletindo a preocupação dos investidores com os rumos da economia nacional após o resultado eleitoral.

B3 amplia limites de negociação

Diante da forte oscilação dos mercados, a B3 ampliou excepcionalmente, para esta segunda-feira, o limite superior de variação diária dos contratos futuros de dólar e minidólar de 6% para 8,4%.

A medida busca permitir que as negociações acompanhem a volatilidade registrada no mercado internacional. O limite de oscilação dos contratos futuros não deve ser confundido com uma suspensão geral das operações da Bolsa.

O chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos, pode ser acionado no mercado de ações caso o Ibovespa atinja uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior.

Ações brasileiras despencam no exterior

Entre as empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, as perdas atingiram especialmente o setor financeiro e a Petrobras.

Na pré-abertura de Wall Street, por volta das 7h29, os papéis do Bradesco recuavam 28,75%, enquanto as ações do Itaú Unibanco caíam 27,1%. A Petrobras registrava desvalorização de 23,17%. Os números refletem as cotações daquele momento e podem mudar ao longo do pregão. UOL

A reação representa uma reversão do movimento de valorização observado nas semanas anteriores ao segundo turno. Naquele período, a expectativa dos investidores em relação ao cenário eleitoral contribuiu para a alta da Bolsa brasileira e para a valorização do real.

Incertezas econômicas entram no radar

A vitória de Lula contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam em um resultado favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Com a definição eleitoral, o mercado passou a ajustar posições e a reavaliar as perspectivas para a política econômica do próximo mandato.

Entre as principais preocupações estão a trajetória das contas públicas, o controle dos gastos governamentais e a capacidade de cumprimento das metas fiscais. Esses fatores podem influenciar as expectativas para a inflação, os juros futuros e o comportamento do câmbio.

O desempenho dos ativos brasileiros nos próximos dias também dependerá dos sinais emitidos pelo governo sobre a condução da economia e da definição das prioridades fiscais para 2027.

Analistas avaliam que a volatilidade poderá permanecer elevada no curto prazo, enquanto investidores aguardam maior clareza sobre as medidas econômicas do próximo mandato presidencial.

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