Brasil dá início ao processo de reciprocidade contra os EUA
O governo brasileiro deu início, nesta quinta-feira (13), ao processo formal para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas sobre produtos brasileiros. A iniciativa é baseada na Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) notificará o governo norte-americano sobre a abertura do processo e solicitará consultas diplomáticas. Apesar do avanço, o governo Lula afirma que ainda pretende priorizar o diálogo e as negociações para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das medidas adotadas por Washington.
Tarifas de até 37,5%
Os Estados Unidos impuseram uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, medida que entrou em vigor em julho. Posteriormente, foi acrescentada uma tarifa de 12,5% aplicada a importações de diversos países, elevando a cobrança sobre alguns produtos brasileiros para até 37,5%.
O governo brasileiro considera as tarifas norte-americanas injustificadas e arbitrárias. Em julho, o Brasil também iniciou uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas adotadas pelos Estados Unidos.
O que pode acontecer
A Lei da Reciprocidade permite que o Brasil adote contramedidas proporcionais contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros. Entre as possibilidades estão restrições às importações e outras medidas comerciais.
O processo, porém, não significa que uma retaliação será aplicada imediatamente. A legislação prevê análise das medidas, consultas e avaliação dos setores envolvidos antes de uma eventual decisão. Em situações excepcionais, também existe a possibilidade de adoção de medidas provisórias.
A estratégia do governo brasileiro ocorre em um momento de forte tensão comercial entre Brasília e Washington. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, segundo dados divulgados pela Amcham Brasil, com impacto maior sobre produtos atingidos pelas sobretaxas.