Flávio Bolsonaro diz aos EUA que PIX não substitui cartão de crédito e propõe barrar sistemas 'não ocidentais'
O senador Flávio Bolsonaro afirmou, em documento enviado ao governo dos Estados Unidos, que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX, não substitui os cartões de crédito e defendeu medidas para impedir o avanço de plataformas de pagamento classificadas por ele como "não ocidentais".
As declarações fazem parte de uma manifestação encaminhada durante discussões envolvendo políticas comerciais e sistemas de pagamentos digitais. No texto, Flávio argumenta que o PIX possui características diferentes das operadoras de cartão e que ambos os meios de pagamento exercem funções distintas no mercado.
Segundo o senador, os cartões de crédito continuam sendo indispensáveis por oferecerem recursos como parcelamento de compras, programas de recompensas, proteção ao consumidor e acesso ao crédito — funcionalidades que, segundo ele, não são contempladas pelo PIX.
Além disso, Flávio Bolsonaro defende que países ocidentais atuem de forma coordenada para conter a expansão de sistemas de pagamento desenvolvidos por nações consideradas adversárias estratégicas do Ocidente. A proposta menciona a necessidade de restringir ou barrar plataformas "não ocidentais", sob o argumento de preservar a segurança econômica e reduzir riscos geopolíticos.
O posicionamento ocorre em meio ao debate internacional sobre a crescente competição entre diferentes infraestruturas de pagamentos digitais. Nos últimos anos, sistemas instantâneos como o PIX ganharam espaço em diversos países, enquanto economias como a China ampliaram o uso de plataformas próprias de pagamentos eletrônicos.
Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020, o PIX tornou-se o principal meio de pagamento eletrônico do país. O sistema permite transferências e pagamentos em poucos segundos, 24 horas por dia, sem cobrança para pessoas físicas na maioria das operações, mas não oferece crédito ou parcelamento de forma nativa, diferentemente dos cartões de crédito.
A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento em que governos e empresas discutem o futuro dos sistemas financeiros digitais, incluindo interoperabilidade, soberania tecnológica e segurança das redes de pagamento.