Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial e tenta renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo diante do agravamento de sua crise financeira. O processo foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais e envolve a companhia e nove subsidiárias.
A empresa declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas. Desse total, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, enquanto aproximadamente R$ 754 milhões são referentes a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões a pequenas empresas.
A decisão ocorre após a Casas Bahia registrar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Segundo a companhia, o resultado foi impactado por efeitos contábeis e despesas relacionadas à reorganização das operações, mas a situação financeira também foi pressionada por juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros, inadimplência e redução do consumo.
Como parte da reestruturação, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e realizou milhares de desligamentos. A estratégia busca reduzir custos e concentrar as operações nos canais considerados mais rentáveis.
A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Agora, a recuperação judicial amplia o processo de negociação com os credores e busca criar condições para a continuidade das atividades da companhia.
A empresa também pediu medidas emergenciais à Justiça, incluindo a suspensão de execuções e de determinados vencimentos por 180 dias. A companhia afirma que pretende manter suas operações enquanto apresenta e negocia um plano de recuperação com os credores.
A recuperação judicial não significa, neste momento, o fim das atividades da Casas Bahia. O objetivo do processo é permitir a reorganização das dívidas e da estrutura financeira para evitar a falência e tentar tornar a operação novamente sustentável.