Governo planeja reunião com clubes após proibição das bets

Brasil

O governo federal pretende se reunir com clubes e confederações esportivas nos próximos dias para avaliar os impactos da proibição das bets sobre o futebol brasileiro. A decisão foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editar uma Medida Provisória que determina o fim da exploração, oferta e publicidade das apostas de quota fixa no país.

Segundo Durigan, a intenção é primeiro entender o tamanho da dependência financeira dos clubes em relação às empresas de apostas e ouvir as demandas do setor. O ministro afirmou que, neste momento, não há previsão de um socorro imediato às equipes que perderão receitas de patrocínio.

Os dados apresentados pelo governo indicam que a participação das bets nos orçamentos dos clubes costuma ficar, em média, na faixa de um dígito. Em 2025, porém, as empresas do setor investiram cerca de R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A, equivalente a 7,9% das receitas totais das equipes.

A MP publicada na sexta-feira (25) estabelece que as empresas terão até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.

Governo diz que futebol já existia antes das bets

Durante o anúncio da medida, Lula também rebateu as preocupações manifestadas por clubes sobre a perda de patrocínios. O presidente afirmou que o futebol brasileiro conquistou títulos mundiais antes da chegada das empresas de apostas ao mercado nacional.

O governo argumenta que a proibição foi adotada diante dos impactos sociais associados às apostas e pretende avaliar, posteriormente, eventuais medidas para setores afetados pela decisão.

A relação entre futebol e bets já vinha sendo alvo de forte debate. Clubes haviam defendido a manutenção de um mercado regulado, argumentando que o setor se tornou uma importante fonte de receitas para equipes de diferentes divisões.

Agora, o governo pretende ouvir diretamente os dirigentes para dimensionar as perdas e avaliar quais medidas poderão ser adotadas.

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