Entenda esquema de lavagem de dinheiro de apostas alvo de operação na Paraíba
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo empresas ligadas ao mercado de apostas esportivas. A operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe e Paraná.
Entre os principais alvos está a PixBet, empresa que já teve forte presença no mercado esportivo brasileiro, além de pessoas e empresas relacionadas ao grupo. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.
Como funcionaria o esquema
Segundo as investigações, o dinheiro movimentado pelas apostas teria sido transferido para estruturas financeiras e empresas utilizadas para dificultar a identificação da origem e dos verdadeiros beneficiários dos recursos.
Uma das suspeitas é de que valores fossem enviados para o exterior por meio de empresas de compensação. Posteriormente, parte desse dinheiro retornaria ao Brasil por meio de contratos fictícios ou operações com aparência legal, dificultando o rastreamento da origem dos recursos.
Na prática, a investigação tenta identificar um ciclo de ocultação, transferência e reinserção do dinheiro no sistema financeiro, mecanismo característico de lavagem de dinheiro.
Qual seria o papel das empresas?
A Polícia Federal apura se empresas ligadas ao grupo teriam sido utilizadas para movimentar recursos e criar uma distância entre o dinheiro das apostas e seus reais beneficiários.
Investigações anteriores sobre o setor já identificaram o uso de intermediadoras de pagamento, empresas de fachada, estruturas societárias e operações internacionais como mecanismos para dificultar o rastreamento dos valores.
Em depoimentos e investigações relacionadas ao mercado de bets, autoridades também apontaram que o dinheiro depositado pelos apostadores pode passar por intermediadoras antes de chegar às empresas responsáveis pelas plataformas ou seguir para estruturas no exterior.
Por que a Paraíba aparece na operação?
A Paraíba está entre os cinco estados onde a Polícia Federal cumpriu mandados nesta quinta-feira. O estado possui ligação com empresas e empresários investigados no mercado de apostas, e a operação busca apreender documentos, equipamentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a movimentação financeira.
A operação é realizada pela Polícia Federal em parceria com outros órgãos de investigação e fiscalização.
Quem são os investigados?
Além da PixBet, a operação também tem entre os alvos o advogado Nelson Willians. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a PF apura possíveis relações financeiras e empresariais envolvendo pessoas e empresas ligadas ao esquema.
O escritório de Willians afirmou que sua relação com a PixBet é exclusivamente profissional, relacionada à prestação de serviços advocatícios, e que não se deve confundir a atuação jurídica com as atividades dos clientes.
O que a PF investiga
Os principais crimes sob apuração são lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de possíveis outros crimes financeiros.
Até o momento, trata-se de uma investigação em andamento. A operação busca reunir provas para esclarecer a origem dos recursos, identificar os beneficiários finais e verificar se houve utilização de empresas e operações internacionais para ocultar patrimônio ou dinheiro de origem ilícita.
A Operação Arena representa mais uma ofensiva das autoridades contra estruturas financeiras associadas ao mercado de apostas, especialmente aquelas suspeitas de utilizar empresas, intermediários e transferências internacionais para dificultar o rastreamento de grandes volumes de dinheiro.

Fonte: g1