Classe média se aperta, e imóveis compactos de dois quartos puxam vendas do setor

Brasil

O mercado imobiliário brasileiro vem se adaptando ao orçamento mais apertado das famílias de classe média. Com os custos de financiamento ainda elevados, imóveis compactos e de dois quartos ganharam espaço e passaram a concentrar boa parte das vendas do setor.

Em São Paulo, por exemplo, apartamentos de dois dormitórios representaram 66% das vendas em dezembro de 2025, enquanto unidades de até 45 metros quadrados responderam por 64% do mercado mensal, segundo dados do Secovi-SP.

O movimento mostra uma mudança no perfil de consumo: em vez de buscar imóveis maiores, muitas famílias estão priorizando localização, funcionalidade e uma prestação que caiba no orçamento.

A pressão sobre a classe média também ajudou a ampliar o espaço do Minha Casa, Minha Vida. Desde abril de 2026, o programa passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, incluindo imóveis de padrão médio de até R$ 600 mil.

Segundo a Abrainc, a tipologia de dois dormitórios é predominante no programa em todas as faixas de renda. Nas faixas mais populares, os apartamentos costumam ter metragem reduzida, enquanto nas faixas superiores aparecem unidades maiores, mas ainda com foco na relação entre preço e espaço.

O cenário indica que o setor está produzindo cada vez mais de acordo com a capacidade de compra do consumidor. Com a renda comprometida por alimentação, serviços e financiamento, o imóvel compacto passou a ser uma alternativa para quem ainda deseja sair do aluguel ou adquirir o primeiro imóvel.

Mesmo diante dos juros elevados, o mercado imobiliário mantém demanda significativa. A estratégia das construtoras tem sido apostar em unidades menores, com preços mais acessíveis e maior facilidade de financiamento, tentando equilibrar o desejo de compra com o orçamento real das famílias.

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