Semaglutida pode ajudar a retardar o envelhecimento? Estudo aponta aumento da longevidade em animais

Brasil

A semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, pode ter um efeito que vai além da perda de peso. Um novo estudo aponta que a substância foi capaz de retardar processos associados ao envelhecimento e aumentar a expectativa de vida de camundongos idosos.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, acompanhou camundongos fêmeas com 20 meses de idade — considerados idosos para a espécie — que receberam semaglutida durante o restante da vida. Os animais tratados apresentaram uma mediana de sobrevivência de 834 dias, contra 742 dias no grupo de controle, uma diferença de aproximadamente 12%.

Além da maior longevidade, os pesquisadores observaram melhora em diferentes aspectos da saúde dos animais. O tratamento esteve associado à redução de inflamação, senescência celular, instabilidade genômica, alterações nas mitocôndrias e perda da capacidade de manter proteínas em condições adequadas, todos processos relacionados ao envelhecimento.

Outro resultado chamou a atenção: os efeitos da semaglutida apresentaram semelhanças com os observados em animais submetidos à restrição calórica. Segundo os pesquisadores, isso levanta a hipótese de que medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1 possam funcionar, em parte, como uma espécie de “imitador” da restrição calórica, conhecida por influenciar a longevidade em diferentes modelos experimentais.

E em humanos?

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: ainda não é possível afirmar que a semaglutida faça seres humanos viverem mais.

O estudo principal foi realizado em camundongos, e seriam necessários ensaios clínicos de longo prazo para determinar se os mesmos efeitos acontecem em pessoas. A própria pesquisa destaca que ainda é preciso investigar se a ativação do receptor de GLP-1 consegue modificar o processo de envelhecimento e aumentar a longevidade humana.

Há, porém, sinais iniciais em seres humanos. Um estudo clínico analisado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego encontrou indícios de que a semaglutida pode desacelerar determinados marcadores de envelhecimento biológico em pessoas vivendo com HIV, incluindo alterações relacionadas à inflamação e à saúde metabólica.

Os resultados, portanto, abrem uma nova frente de investigação: a possibilidade de medicamentos da classe dos GLP-1 não apenas ajudarem no controle do peso e do açúcar no sangue, mas também influenciarem mecanismos relacionados ao envelhecimento.

Por enquanto, entretanto, semaglutida não deve ser encarada como uma “droga da longevidade”. O uso com objetivo de combater o envelhecimento ainda depende de novas pesquisas e não substitui as indicações médicas atualmente estabelecidas.

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