Lula articula encontro entre diretor-geral da PF e André Mendonça para reduzir tensão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, procure o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para tentar reduzir a tensão entre a cúpula da corporação e o magistrado. A reunião deve ocorrer nos próximos dias e terá a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
A articulação ocorre em meio a divergências sobre a condução de investigações de grande repercussão política, entre elas os casos relacionados ao Banco Master, às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Mendonça é relator de dois dos inquéritos que envolvem essas apurações. A relação entre o gabinete do ministro e a direção da PF se deteriorou nas últimas semanas, com divergências sobre o acesso a informações, a condução das investigações e os limites da atuação de cada instituição.
A situação ganhou força após decisões de Mendonça relacionadas às investigações envolvendo Lulinha. O ministro determinou que a PF apurasse vazamentos de informações sigilosas e também autorizou o acesso da corporação a dados brutos obtidos por meio de quebras de sigilo.
A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, pediu que uma das investigações envolvendo Lulinha seja encaminhada à primeira instância, sob o argumento de que, até o momento, não há autoridade com foro privilegiado entre os investigados. A possibilidade é vista pelo Planalto como uma alternativa capaz de diminuir parte do conflito.
O governo busca evitar que o desgaste entre o STF e a Polícia Federal aumente em um momento de forte repercussão política das investigações. A expectativa é que a conversa entre Andrei Rodrigues e André Mendonça ajude a restabelecer o diálogo institucional e reduza as desconfianças entre os dois lados.
Apesar da articulação do governo, ainda não há garantia de que o encontro será suficiente para solucionar todas as divergências. Tentativas anteriores de mediação não conseguiram encerrar o impasse entre o ministro e a direção da PF.