Delegado e investigadores suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas têm prisão mantida na Paraíba
A Justiça da Paraíba manteve a prisão do delegado da Polícia Civil Braz Morroni de Paiva Júnior e de investigadores presos durante a Operação Perfidus, deflagrada nesta terça-feira (2), em João Pessoa. Os agentes são investigados por suposto envolvimento em um esquema criminoso ligado ao tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas para organizações criminosas.
A decisão foi tomada após audiência de custódia. Braz Morroni foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, na capital paraibana. Segundo a Justiça, a manutenção da prisão é necessária para garantir o andamento das investigações, que apontam a participação de agentes públicos em uma estrutura criminosa infiltrada nos órgãos de segurança.
De acordo com as apurações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba, os investigados teriam utilizado a estrutura do Estado para favorecer traficantes, repassando informações privilegiadas e desviando drogas apreendidas durante operações policiais. Parte dos entorpecentes seria posteriormente revendida por integrantes da organização criminosa, com divisão dos lucros entre os envolvidos.
Além do delegado, os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito também estão entre os alvos da operação. Conforme a investigação, eles teriam atuado diretamente na logística do esquema, incluindo monitoramento de carregamentos de drogas e repasse de informações estratégicas para criminosos.
A Operação Perfidus cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça ainda determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados, com o objetivo de interromper o fluxo de recursos provenientes das atividades ilícitas e garantir eventual reparação de danos.
As investigações tiveram início em fevereiro de 2025, após denúncias de que drogas apreendidas pela polícia estariam sendo desviadas. Segundo os investigadores, o esquema funcionava com a colaboração de traficantes que informavam a localização de entorpecentes pertencentes a grupos rivais. Os policiais investigados realizavam as apreensões e, em vez de encaminhar todo o material para os procedimentos legais, parte da droga era desviada para comercialização ilegal.
A defesa de Braz Morroni afirmou que irá analisar os autos do processo e adotar as medidas jurídicas cabíveis, destacando o princípio constitucional da presunção de inocência.