Cabedelo: desembargador autorizou operação que afastou prefeito 3 dias antes da eleição suplementar
A operação que afastou o prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi autorizada no dia 9 de abril, quinta-feira da semana passada, apenas três dias antes da eleição suplementar que o elegeu para o cargo. A decisão foi assinada pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba, que também determinou a retirada parcial do sigilo do processo.
Mesmo com a autorização prévia da medida judicial, Edvaldo disputou o pleito realizado no último domingo (12), saiu vitorioso nas urnas contra o deputado estadual Walber Virgolino (PL) e acabou sendo afastado do cargo dois dias depois, já no contexto da deflagração da Operação Cítrico.
A investigação, conduzida pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e Controladoria-Geral da União (CGU), aponta a existência de um suposto consórcio entre agentes públicos, empresários e integrantes de organização criminosa com atuação em Cabedelo.
Segundo os autos, o esquema teria se valido da contratação fraudulenta de empresas terceirizadas para empregar pessoas ligadas a facção criminosa com uso de recursos públicos para financiar atividades criminosas.
Um dos pontos revelados pela investigação é que o ex-prefeito André Coutinho (Avante) teria rompido com a estrutura após o avanço das apurações, determinando a exoneração de pessoas ligadas à facção por receio de ser atingido.
Apesar disso, de acordo com os investigadores, o esquema teria sido reorganizado posteriormente. O ex-prefeito Vitor Hugo é apontado como articulador político da engrenagem, responsável por viabilizar a relação entre a gestão pública e o grupo criminoso.
A apuração também indica que, com a mudança no comando da prefeitura, a estrutura teria sido retomada, com reativação de contratações e manutenção da influência da facção dentro da administração municipal.
A decisão judicial determinou, além do afastamento de Edvaldo Neto, o cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares contra os investigados.
O que dizem os investigados
Edvaldo Neto
A defesa do Prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, vem a público esclarecer que recebe com serenidade a decisão que determinou seu afastamento cautelar, medida de natureza provisória que não implica qualquer juízo definitivo de culpa.
Reafirma-se a absoluta tranquilidade quanto à apuração dos fatos, certo de que, no curso regular do processo e sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas.
O Prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública.
Cumpre destacar, inclusive, que na data de ontem (13), foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter “antifacção”, que visa proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa, iniciativa que reforça, de modo inequívoco, o seu compromisso com a legalidade, a probidade administrativa e o enfrentamento firme à criminalidade.
A defesa confia plenamente nas instituições e no restabelecimento da verdade, convicta de que a inocência do gestor será reconhecida ao final.
Rouger Guerra
Na manhã desta terça-feira (14), fui surpreendido por uma ação da Polícia Federal no âmbito de investigação relacionada à cidade de Cabedelo.
Esclareço, de forma categórica, que não tenho qualquer envolvimento com os fatos investigados, tampouco mantive qualquer relação com as situações apuradas.
Trata-se de um processo que tramita em segredo de justiça, razão pela qual não tenho conhecimento sobre os detalhes do seu conteúdo. Ainda assim, reafirmo minha absoluta tranquilidade quanto à minha conduta e à correção de todos os meus atos ao longo da vida pública.
Com o objetivo de preservar o pleno funcionamento da administração municipal e evitar qualquer prejuízo às atividades da Prefeitura de João Pessoa, coloco meu cargo de chefe de Gabinete à disposição do prefeito Leo Bezerra.
Confio plenamente na Justiça e estou certo de que, no curso do processo, ficará comprovada a minha inocência e ausência de relação com este caso.
Vitor Hugo
Em nota encaminhada à 98 FM, Vitor Hugo afirmou que a situação teria sido construída por adversários políticos. “Venho sofrendo uma perseguição política montada por Walber Virgolino junto a um ex-vereador de Cabedelo”, declarou.
O ex-prefeito também destacou sua trajetória à frente do município. Segundo ele, durante sua gestão não houve registros relacionados a facções criminosas.
“Foram sete anos de gestão sem que se falasse em facções”, afirmou.
Vitor Hugo negou qualquer relação com os fatos investigados e disse confiar no andamento do processo. “Nunca tive contato com essas pessoas. Isso ficará comprovado durante o processo”, acrescentou.
Fonte: Maurílio Júnior