“Exército do Lula”: Nunes Marques determina análise urgente sobre desinformação no TSE
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral quer informações técnicas sobre possível disseminação coordenada de conteúdos no canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones; caso envolve decisões divergentes dentro da Corte.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (12) que a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação da Corte realize uma análise técnica, em caráter de urgência, sobre o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.
A determinação busca esclarecer se houve circulação de conteúdos idênticos ou semelhantes aos investigados em outros canais e plataformas digitais, além de verificar uma possível atuação coordenada para disseminar essas mensagens. A medida ocorre em meio à disputa judicial envolvendo o canal, que reúne milhões de seguidores e é utilizado para divulgar conteúdos de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, Nunes Marques solicitou que a equipe técnica apresente informações sobre a eventual replicação das publicações e a existência de estratégias organizadas de disseminação.
Disputa judicial envolve suspensão do canal
No domingo (11), Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal após um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. A representação apontou suposta disseminação coordenada de informações falsas contra o candidato.
Entre os conteúdos questionados estão afirmações sobre uma possível redução de aposentadorias e o cancelamento de benefícios sociais, além de publicações relacionadas à padroeira do Brasil. A decisão do presidente do TSE citou conteúdos que, segundo a Corte, já haviam sido considerados inverídicos em processos anteriores.
Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu provisoriamente a suspensão e determinou o restabelecimento do canal. O ministro argumentou que os elementos disponíveis naquele momento não eram suficientes para justificar uma restrição tão abrangente e encaminhou a discussão para análise do plenário do TSE.
Caso pode ser analisado pelo plenário
A nova determinação de Nunes Marques busca reunir informações técnicas que possam contribuir para a análise do caso pela Justiça Eleitoral. A controvérsia envolve o combate à desinformação durante a campanha e os limites das medidas judiciais sobre canais de comunicação política.
O caso ocorre a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e mantém o canal criado por Janones no centro de uma disputa jurídica sobre a circulação de conteúdo político nas plataformas digitais.