Dólar pode chegar a R$ 5,70 e juros futuros a 15,5% sem plano fiscal convincente, alerta Morgan Stanley
O dólar pode avançar para a faixa de R$ 5,70, enquanto os juros futuros podem atingir 15,5% ao ano, caso o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apresente um plano fiscal convincente. A projeção é do banco norte-americano Morgan Stanley, em relatório divulgado na segunda-feira (26).
Segundo a instituição, a reação dos mercados deve ocorrer em duas etapas. Inicialmente, os investidores podem desfazer parte das apostas otimistas feitas após o primeiro turno das eleições. Nesse cenário, o dólar poderia alcançar R$ 5,50, enquanto os juros futuros dos contratos com vencimento em janeiro de 2029 subiriam para aproximadamente 14,5%.
Na segunda etapa, caso persistam as incertezas sobre as contas públicas, os investidores passariam a exigir uma remuneração maior para assumir riscos no Brasil. Com isso, a moeda norte-americana poderia subir para R$ 5,60 a R$ 5,70, e os juros futuros avançariam para 15,5%.
Plano fiscal será decisivo
Para o Morgan Stanley, a recuperação da confiança dependerá principalmente dos sinais do governo sobre o controle das despesas, a trajetória da dívida pública e a sustentabilidade das contas públicas. A escolha do próximo ministro da Fazenda será um dos primeiros indicadores observados pelo mercado.
O banco alerta que a ausência de medidas concretas para conter o desequilíbrio fiscal poderá ampliar a pressão sobre os ativos brasileiros. Nesse cenário mais adverso, o dólar poderia se aproximar de R$ 6, enquanto os juros e o custo do crédito permaneceriam elevados.
A instituição também chama a atenção para o elevado comprometimento do orçamento com despesas obrigatórias, que reduz a margem de manobra do governo para acomodar novos gastos sem comprometer as metas fiscais.
Saída de recursos pode pressionar o dólar
Outro fator que pode contribuir para a valorização da moeda norte-americana é o aumento das remessas de dividendos e das transferências de recursos de empresas para o exterior, movimento comum nos últimos meses do ano.
A combinação dessas saídas com a incerteza fiscal pode aumentar a procura por dólares e enfraquecer o real.
Bolsa também entra no radar
O alerta do Morgan Stanley se estende ao mercado de ações. Em um cenário de deterioração das expectativas, o banco vê possibilidade de queda de 20% a 30% na Bolsa brasileira, com impactos diferentes entre os setores.
Empresas voltadas ao consumo interno tendem a sofrer mais com juros elevados e crédito caro, enquanto bancos e companhias exportadoras podem apresentar maior resistência.
A avaliação da instituição é que a trajetória dos mercados dependerá, sobretudo, da capacidade do governo de apresentar medidas fiscais concretas e demonstrar que conseguirá implementá-las. Até que haja sinais considerados suficientes, o câmbio, os juros e a Bolsa poderão permanecer sob pressão.