Uma cultura dizimada e um silêncio que grita

Uma cultura dizimada e um silêncio que grita

O coco produzido em Sousa/Marizópolis, nas várzeas do Açude São Gonçalo, tem fama internacional. Até uma equipe da BBC de Londres já esteve na região para captar documentário sobre o caminho do melhor produto do Brasil.

A larga produção hoje é cena do passado. Lotes e plantações foram dizimados pela estiagem de quase uma década. A DinoCoco, por exemplo, empresa de beneficiamento localizada em Sousa, faz tempo que recorre à matéria-prima em outras regiões do país.

Não se tem cálculo ainda de quanto tempo levará para resgatar essa cultura e recuperar os inestimáveis prejuízos econômicos. O que se sabe é que ainda não há um esforço e nem políticas públicas para enfrentar essa dura realidade.
Aliás, o coco e outras produções (banana, goiaba, manga, arroz) foram extintas sem nenhuma reação a altura da gravidade da questão. Enquanto a classe política brigou, e com razão, para apressar ao máximo o eixo leste da Transposição, rasgando açudes, para garantir o abastecimento da Borborema e Cariri, a crise hídrica no Sertão não mereceu empenho ao menos parecido.

Algumas vozes isoladas ainda levantam o tema. Mas sem ecoar na proporção do problema. O estrago da seca na região é tão dramático que vai além de renda e subsistência. O desemprego e desalento estão regando frutos de violência crescente. Filhos de produtores que viviam da roça têm sido atraídos para o tráfico de drogas e os assaltos, crimes já comuns por lá.

O que antes era um ciclo de desenvolvimento deu lugar a uma onda de criminalidade, sem nenhuma perspectiva de recuperação a médio prazo.

No semblante de pessoas que tiravam sustento e progresso do coco, fonte de prosperidade para muita gente, a descrença de que verão de novo o verde dos coqueirais desenhando a paisagem e pintando trabalhadores de dignidade e sustento.

O quadro é desolador e exige uma operação de guerra. Debates aprofundados, pesquisas, levantamentos econômicos, linhas de crédito específicas a juros próximos de zero, investimentos para recuperação desse polo estadual de produção e a aceleração urgente da conclusão do eixo Norte da Transposição.

Na hora da aflição, a Paraíba levantou a voz por Campina Grande. Passou da hora do Alto Sertão gritar por si mesmo.

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