Roberto Cavalcanti: Gigante até na corrupção

Roberto Cavalcanti: Gigante até na corrupção

O Brasil – e disso ninguém duvida – é um país de potencialidades gigantescas. Tão portentoso que, por vezes, surpreende – tanto para o bem, quanto para o mal.
E o Brasil voltou a surpreender – desta vez pelos piores motivos – com o caudaloso escândalo do esquema Lava-Jato. Nunca, desde o grito as margens do Ipiranga, se viu tamanha rapinagem do dinheiro público.
A maior empresa (Petrobras) e as maiores empreiteiras em operação no País (Camargo Correia, OAS, Mendes Júnior, UTC, Galvão Engenharia e Engevix) estão envolvidas e devem responder por crimes de improbidade e formação de cartel.
Trocando em miúdos, as empreiteiras não só teriam corrompido o alto escalão da Petrobrás, mas também maquinado, em comum acordo, quem ganharia as obras. E a que custo.
Para arrematar e ampliar as dimensões desse gigantismo corruptor, esta semana os maiores bancos do País também foram acionados pelo Ministério Público.
Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, HSBC e Santander serão chamados para explicar porque não comunicaram ao Banco Central sobre as movimentações suspeitas dos envolvidos na Lava-Jato.
Os procuradores federais suspeitam que os bancos – por onde passaram as cifras mais vultosas do esquema comandado pelo doleiro Alberto Youssef – foram no mínimo negligentes ao não cumprirem o mecanismo de controle de informar as movimentações atípicas ao Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.As omissões facilitaram, sem dúvida, a vida dos operadores do Lava-Jato.
Teriam os bancos traído a confiança do BC?
Esta é uma questão que os senhores procuradores terão que responder.
De antemão, o que se sabe é que a inclusão dos bancos na seara investigativa amplia, ainda mais, as dimensões – que já eram gigantescas – do esquema de corrupção montado dentro da Petrobrás. E arrasta, para a Lava-Jato, tudo o que há de maior no País:
A maior empresa, as maiores empreiteiras e, agora, os maiores bancos.E quando um fato assume essas dimensões, atingindo tal grandiosidade, é inevitável sondar: o que, afinal, vai acontecer?
Até que ponto o Brasil tem condições de revirar esses fatos e levar adiante todas as ramificações que compõem o maior e mais inacreditável escândalo de corrupção no País?
Quem viver, verá.

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