"O Agente Secreto" no Oscar: as chances do filme na premiação, segundo críticos de cinema

O Brasil volta a entrar em "clima de final de Copa do Mundo" neste domingo (15/3). Mas, pelo segundo ano consecutivo, a disputa é pelo Oscar.

Um ano após o triunfo de “Ainda Estou Aqui”, brasileiros torcem agora por uma estatueta para “O Agente Secreto”, indicado a quatro categorias do principal prêmio do cinema mundial.

De transmissões em salas de cinema a festas com DJ, torcedores se reúnem para acompanhar se o filme de Kléber Mendonça Filho repetirá o feito do conterrâneo Walter Salles.

Cinemas, bares e espaços culturais em diferentes cidades do país organizam eventos para exibir a cerimônia — especialmente no Recife, onde se passa a história.

A produção disputa nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (para Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.

Recife e Olinda se preparam para acompanhar a cerimônia do Oscar com eventos especiais e concurso de sósias da personagem Dona Sebastiana e da folclórica Perna Cabeluda.

Com ingressos esgotados, o Cinema São Luiz, também cenário do filme, vai transmitir a cerimônia em Recife. Um telão também será instalado na Rua da Aurora, um dos principais cartões-postais da capital pernambucana.

Em Olinda, a sede da Pitombeira dos Quatro Cantos, que vendeu mais de 30 mil camisas do clube carnavalesco após Wagner Moura aparecer nas telas com uma delas, vai exibir a premiação com apresentações de frevo.

No dia da cerimônia, o Brasil aparece mais visível do que nunca. Desde a estreia do filme no Festival de Cannes, em maio de 2025, elenco e equipe participaram de uma intensa campanha internacional.

O ator Wagner Moura, protagonista do longa, tem feito uma maratona de entrevistas de divulgação, mostrando que o brasileiro "tem o molho" — e especialmente o baiano. O filme chega à premiação acumulando dezenas de prêmios, incluindo o Globo de Ouro.

Mas será que o engajamento dos brasileiros vai se concretizar em uma premiação pelo segundo ano consecutivo?

Para a crítica de cinema Caryn James, que escreve para a BBC, o desempenho do filme nas indicações já demonstra a força da produção brasileira neste ano.

"Isso diz muito sobre a força de O Agente Secreto, que recebeu tantas indicações importantes, e eu diria que merecia ainda mais, especialmente para direção", afirma a crítica britânica.

A presença nas principais categorias representa um avanço em relação ao ano passado, quando Ainda Estou Aqui, de Walter Salles — também ambientado durante a ditadura militar brasileira — foi o representante do país na premiação.

Mas, apesar do reconhecimento da crítica e dos diversos prêmios que a produção conquistou nesta temporada, a imprensa especializada não aponta o filme brasileiro como favorito nas categorias em que concorre.

Mas, se o número de indicações aumentou, o cenário da disputa parece mais difícil. É o que afirma a crítica de cinema Flávia Guerra.

"A gente vem com mais indicações, o que é incrível, porque mostra uma evolução de um ano para o outro. Mostra o cinema brasileiro fazendo filmes melhores ou mais competitivos — e também a nossa capacidade de nos posicionarmos nessa festa, que é prioritariamente americana, internacional e muito competitiva", afirma.

"Claro que, como público brasileiro e torcedor, a gente tende a pensar: se agora temos mais indicações, então também deveríamos levar mais prêmios. Mas a matemática não é tão linear assim. O Oscar ainda é, no fim das contas, uma ciência humana."

Fonte: BBC Brasil

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