Calvário: denúncia do Gaeco revela que propinas poderiam chegar a 15% do contrato

Calvário: denúncia do Gaeco revela que propinas poderiam chegar a 15% do contrato

Os fornecedores do governo do Estado teriam pago propinas médias de 15% em contratos suspeitos, afirmam as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Três pessoas foram presas nesta quarta-feira (9), na quinta fase da operação Calvário. A lista inclui o secretário de Executivo de Turismo do Estado, Ivan Burity; o empresário Jardel Aderico da Silva, da Inteligência Relacional, e o diretor do Hospital Regional de Mamanguape, Eduardo Simões Coutinho.

Todos os mandados foram autorizados pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba. Foram expedidos, também, 25 mandados de busca e apreensão, cumpridos em João Pessoa, Santa Rita, Mataraca e em mais quatro Estados. O secretário Ivan Burity foi apontado como figura central na operação, com a indicação de fornecedores para as áreas de Saúde e Educação, com destaque para esta última. O secretário de Educação, Aléssio Trindade, também foi alvo da operação.

De acordo com as investigações, a empresa Conesul Plus chegou a pagar R$ 2 milhões em propinas por um contrato de pouco mais de R$ 2,3 milhões. Esse, no entanto, foi o ponto de entrada para contratos maiores em seguida, com cifras totais superiores a R$ 55 milhões. Em delação premiada, a ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, contou que sequer conhecia os fornecedores. Eles eram trazidos por Ivan Burity, que fazia, mais tarde, o papel de arrecadador das propinas, que giravam em torno de 15% dos contratos.

“Realizando um cotejo entre o resultado da licitação pelo valor global (R$ 55.500.000,00) e o preço unitário de todos os concorrentes, a CGU identificou um sobrepreço de R$ 17.210.358,75 (dezessete milhões, duzentos e dez mil, trezentos e cinquenta e oito reais e setenta e cinco centavos), ou seja, os materiais e equipamentos licitados, apenas considerando os preços ofertados nas propostas das empresas que se apresentaram no certame, teriam um custo máximo de R$ 38.289.649,40 (trinta e oito milhões, duzentos e oitenta e nove mil, seiscentos e quarenta e nove reais e quarenta centavos), representando, assim, um sobrepreço de 44,94%”, diz a investigação.

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