A fuga do conceito (inevitável) de intervenção

A fuga do conceito (inevitável) de intervenção

A ala vencedora do round pelo comando do PSB do foge do termo intervenção como o vampiro do sol. A fuga é óbvia pelo grau de antipatia patente da opção de parte do PSB pelo arrebatamento abrupto do seu comando.

O ex-governador Ricardo Coutinho se referiu hoje a uma -autodissolução-, mas, considerando como verdadeira, esta teria sido fruto, na verdade, de um movimento secreto e nos bastidores de coleta de renúncia para esvaziar o diretório eleito e criar o ambiente da transferência de comando. Sem diálogo e sem debate prévio nas instâncias e na base, o que seria -democrático- num partido que preze, minimamente, por democracia interna.

Não foi o que se assistiu, registre-se. Até hoje nem o diretório destituído e nem a opinião pública paraibana sequer tiveram acesso ao conteúdo, de interesse público, dos argumentos políticos e da identidade ou veracidade da lista dos signatários que renunciaram aos seus postos na direção estadual.

Tudo ficou restrito à Brasília, ao andar de cima, onde, sabidamente, Ricardo Coutinho, por méritos acumulados, exerce forte influência, a partir da Fundação João Mangabeira, detentora de parte significativa dos recursos do fundo partidário do PSB e difusora dos debates ideológicos da sigla.

Para ser justo, nenhuma alteração substancial. Na prática, Ricardo continua como antes; mandando no PSB, cuja engenharia sempre funcionou em função dele e dos seus insights. A diferença agora é que, além de mandar, ele quer o cargo, a simbologia disso, e a totalidade dos poderes na estrutura. Por que? porque quer. Simples assim.

Depois da intervenção que o nomeou presidente, Coutinho fez ao blog de Suetoni Souto Maior uma inusitada pregação: -O PSB-PB precisa de um renascimento-. No que tem razão. Pelo cataclisma que se prenuncia, pós-intervenção, o partido precisará de uma ressurreição. A começar pela reformulação dos conceitos de democracia e de interventor.

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