Lula demite presidente do INSS por fila de requerimentos pendentes

Brasil

O governo Lula demitiu nesta segunda-feira o presidente do INSS, Gilberto Waller, que estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano.

A demissão foi anunciada pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.

No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Seu currículo inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.

“Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás. Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores. Tenho a alegria ainda de anunciar mais uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras”, disse o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, em nota.

Fila elevada

O governo teme os impactos da fila do INSS sobre a campanha do presidente Lula, que tentará a reeleição. Em dezembro de 2022, o estoque de requerimentos pendentes era de cerca de 1,087 milhão, segundo o Boletim Estatístico da Previdência (BEPS). Entre o fim de 2022 e o final de 2025, avançando para o início de 2026, a fila quase triplicou, alcançando patamares próximos de 3 milhões de pedidos em espera.

Dados mais recentes mostram que o INSS ainda lida com uma fila elevada. Em março, o estoque de pedidos aguardando análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. Apesar da melhora pontual, o volume segue alto e pressionado pela entrada constante de novos requerimentos, cerca de 61 mil por dia, segundo o próprio instituto. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a queda não tem sido suficiente para mudar a percepção negativa da população.

Fonte: O Globo

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