Rede, de Marina Silva, recomenda não votar em Bolsonaro, mas não apoia Haddad

Rede, de Marina Silva, recomenda não votar em Bolsonaro, mas não apoia Haddad

A Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, recomendou a seus filiados que não votem em Jair Bolsonaro (PSL) no 2º turno. No entanto, o partido não manifestou apoio à candidatura do petista Fernando Haddad. Os 2 disputam a 2ª etapa do pleito, que será realizada em 28 de outubro.

A decisão foi tomada na reunião da Comissão da Executiva Nacional do partido, na madrugada desta 5ª feira (11.out.2018). Em nota, a legenda afirmou que os 2 postulantes no 2º turno representam projetos de poder prejudiciais ao país. Por isso, decidiu não se aliar a nenhum deles.  O partido também se colocou oposição ao futuro governo, “seja ele qual for”.

No que diz respeito ao PT, a Executiva da Rede critica o “projeto de poder” e a “corrupção sistemática” do partido e não apoia Haddad. No entanto, quanto à Jair Bolsonaro o posicionamento foi ainda mais enfático. A Rede recomenda que frente às “ameaças imediatas e urgentes à democracia” os seus filiados que não destinem “nenhum voto” a Bolsonaro.

Assim como a Rede, inúmeros partidos já se pronunciaram sobre a disputa. O Poder360 compilou os partidos que já se manifestaram. Saiba quem são os apoiadores de Bolsonaro e Haddad para o 2º turno.

Eis a íntegra da nota divulgada pela Executiva da Rede:

“Nestas eleições, a Rede Sustentabilidade apresentou à sociedade brasileira um projeto alternativo à polarização. Frente ao ódio e à mentira, oferecemos a face da verdade e da união em prol de um Brasil mais próspero, justo e sustentável.

Infelizmente, os dois postulantes no segundo turno representam projetos de poder prejudiciais ao país, atrasados do ponto de vista da concepção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético.

A Rede não se alinha e não apoia nenhum deles. A corrupção sistemática revelada pela Operação Lava Jato foi uma marca dos governos petistas, assim como de boa parcela dos parlamentares que agora estão com o Bolsonaro. Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder pouco afeito à alternância democrática.

Por outro lado, é impossível ignorar que o projeto de Bolsonaro, conforme tem sido reiteradamente afirmado, representa um retrocesso brutal e inadmissível em três pontos muito caros aos princípios e propósitos da Rede. Primeiro, promete desmontar inteiramente a estrutura de proteção ambiental existente no país, conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade brasileira e destrói pilares fundamentais para o futuro do país. Além disso, ataca os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras. Segundo, é um projeto que despreza direitos humanos e a diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência e à discriminação. Por fim, é um projeto que ameaça a democracia e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988.

Dessa forma, a Rede Sustentabilidade declara publicamente que:

1. Será oposição democrática ao governo de qualquer dos candidatos que saia vencedor do embate a que se reduziu essa eleição.

2. Não tem ilusões quanto às práticas condenáveis do PT, dentro e fora do governo. No entanto, frente às ameaças imediatas e urgentes à democracia, aos grupos vulneráveis, aos direitos humanos e ao meio ambiente, a Rede Sustentabilidade recomenda que seus filiados e simpatizantes não destinem nenhum voto ao candidato Jair Bolsonaro e, isso posto, escolham de acordo com sua consciência votar da forma que considerem melhor para o país.

10 de outubro de 2018,

Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade”

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