Câmara de Sousa aprova proibição de “ideologia de gênero nas escolas”

Câmara de Sousa aprova proibição de “ideologia de gênero nas escolas”

A Câmara Municipal de Sousa, no Sertão paraibano, aprovou um projeto, nesta terça-feira (5), que sintetiza em justa posição todo o atraso intelectual dos nossos parlamentos. A proposta, de autoria do vereador Cacá Gadelha, proíbe o ensino da disciplina “ideologia de gênero nas escolas”. Só tem um probleminha aí: “ideologia de gênero” não existe como disciplina ou conceito científico. Este é puramente um conceito criado para combate o que a academia identifica como “identidade de gênero”. E tem um motivo básico para isso. Ninguém aprende a ser homossexual. As pessoas podem se identificar como tal.


Essa é uma discussão que vem, surpreendentemente, tomando conta do debate político no Brasil. Tudo por conta das discussões sobre a necessidade de se debater “identidade de gênero” nas escolas. Este conceito, vale ressaltar, precisa mesmo fazer parte da rotina nas instituições de ensino. Não para “forçar” esta ou aquela criança a se tornar homossexual, mas para ensinar as pessoas a respeitarem as diferenças. O conceito de que a exposição a este debate pode fazer alguém se tornar gay é medieval na sua essência. Afinal, pelo padrão conservador da educação brasileira, não existiria homossexuais no país. E acreditem, eles existem independentemente das escolas.


A proposta, na Câmara de Sousa, foi aprovada por unanimidade. Os 15 parlamentares votaram a favor, o que torna até difícil para o prefeito Fábio Tyrone (PSB) rejeitá-la. O tema abordado por Cacá Gadelha também não é exclusividade dele. Circula em praticamente todos os legislativos. Tem sido um pano de fundo considerável para esconder debates realmente importantes, como falta de investimentos na saúde e na educação, por exemplo. Ah, não podemos esquecer o quanto isso serve para tirar o foco do debate sobre a corrupção na política também. Este seria um tema realmente importante para ser discutido.


Fico realmente me perguntando se houve debate para aprovar um texto sobre algo que realmente não existe. Curioso para saber se foram ouvidos antropólogos, psicólogos, educadores… Certamente, não. O mais irônico em tudo isso é que como não há vedação legal, nada impedirá, por exemplo, que se crie uma disciplina nas escolas do município para discutir “identidade de gênero”. Afinal, o texto da lei não se refere ao tema. E esta sim, junto com o combate a toda forma de preconceito, é uma questão que merece atenção.


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