Terra, Planeta "terra"!

Terra, Planeta

Muitos vão lembrar dos Festivais de Música Popular promovidos nas décadas de 70 e 80, onde despontaram para o sucesso diversos cantores e compositores, tais como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes entre outros. Em um desses festivais, ocorreu um episódio que ficaria marcado – o II Festival MPB Shell, em 1981, tornou-se inesquecível por ter sido um recorde de vaias (10 a 15 minutos) por parte de mais de 30.000 pessoas, no Maracanãzinho, no Rio, para a cantora Lucinha Lins, que obtivera o primeiro lugar, com a canção 'Purpurina', inteiramente do desagrado do público, que desejava Guilherme Arantes em primeiro, com a sua canção 'Planeta Água'.

Será que depois de quase 35 anos, podemos repetir o refrão da música: TERRA, PLANETA ÁGUA? Com certeza NÃO!

O mundo vive uma crise hídrica sem precedentes e sem perspectivas de melhoras. Nós não nos preparamos para viver esse momento, pois tínhamos a errada impressão de que esse recurso natural seria inesgotável.

Hoje sofremos com ausência de chuva para reabastecer os mananciais, racionamentos, e consequentemente longos período de seca e estiagem que afetam diretamente a vida da população. Todos os seres vivos do planeta precisam de água para sobreviver, e nós humanos utilizamos a água para beber, cozinhar, lavar, conservar alimentos, cultivar plantas, criar animais, navegação, dentre outros usos.
A água corresponde a 70% da composição do corpo humano, sendo o principal componente da saliva, do suor, das lágrimas, do sangue... Ela é parte essencial dos fluidos dos sistemas digestivo, respiratório, circulatório, nervoso, muscular, urinário, reprodutor e ósseo. Auxilia, por exemplo: o transporte de oxigênio e alimentos, o controle da pressão sanguínea e da temperatura do corpo, a eliminação de substâncias tóxicas, a lubrificação dos olhos, das narinas, das juntas e da pele, além de ajudar a absorver impactos e proteger os órgãos, etc.


De acordo com o Relatório do Comitê dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas, "o direito humano à água é indispensável para conduzir a vida humana com dignidade", entendendo-se o direito à água como "o direito de toda pessoa à água suficiente, segura, aceitável, fisicamente acessível e que propicie usos pessoais e domésticos". (UNITED NATIONS OFFICE, 2012, p. 5).

Em se tratando de volume, o planeta possui aproximadamente 97,5% de água salgada, e apenas 2,2% sendo doce. A água dos rios e lagos correspondem a cerca de 0,3% do volume total de água doce do planeta. Ou seja, a quantidade de água efetivamente disponível para uso humano corresponde a aproximadamente 0,007%, de toda água existente no planeta, uma parcela relativamente pequena, não acham?

Diante da importância da água em nosso cotidiano, que muito tem se discutido sobre essa crise que se instalou no Mundo. Até o Papa Francisco, em recente Encíclica Publicada "Laudato SI" (Louvado Seja), reitera a necessidade da humanidade de cuidar do meio ambiente.  Dividida em seis capítulos, esse documento fala sobre mudança climática, dívida ecológica, questão da água, a crise ecológica bem como as mudanças no estilo de vida. Com o documento, Francisco quer que as pessoas e instituições reflitam sobre a questão ambiental.       
          E então, como resolver esse problema? Na verdade essa questão não se resolve como um passe de mágica, da noite para o dia. Temos que implementar diversas atitudes que irão fazer a diferença nessa equação tão complicada que é economizar água. A construção de reservatório é uma das alternativas. Outra alternativa seria a dessalinização da água dos mares.

Alternativas existem, mas não teremos um resultado satisfatório sem a implementação do aspecto mais importante que é a EDUCAÇÃO AMBIENTAL! Temos que educar a população e fazê-la entender que a água é um recurso finito e que temos que cuidar antes que esse recurso acabe.

Logicamente que o Poder Publico não pode ficar inerte diante de uma situação calamitosa em que nos encontramos e deveria incentivar e instituir programas voltados a economia de água.

Governo ativo, parcerias com a iniciativa privada, controle do uso e do preço de um lado. De outro, o uso consciente, despoluição, reuso e dessalinização. Tudo isso já está sendo feito junto ou separado em algum lugar deste planeta. O tempo de água farta acabou e não há como escapar. O destino da nossa espécie no planeta depende da nossa capacidade de proteger essa fonte da vida que é a água.

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